Site Batera: Como ocorreu a idéia inicial de começar a construir baterias? Você é baterista?
Maurício Odery: Bom, na verdade meu irmão é batera e dava aulas já desde 1990 e ele descobriu um cara que fabricava baterias em SP e começou a comprar e revender em Campinas e pra seus alunos. Meu pai por vezes ia com ele e ficava de olho mas até então nem imaginávamos este fato. Meu pai foi metalúrgico a vida toda e ficou desempregado e tava difícil arrumar emprego e um dia ele chama todo mundo na cozinha de casa e diz: Eu vou começar a fabricar estas baterias. Posso fazer melhor que estes caras. A gente disse: Tá louco? Como assim? Vc não entende nada disso.. não tem nenhum conhecimento, não tem dinheiro, como vai fazer isso? E Ele acreditou e deu início no que hoje se transformou na Odery que é uma marca Internacional. As primeiras baterias eram de Duratex cortadas no serrote e pintadas no rolinho com esmalte sintético... as ferragens de ferro torcido na mão, cortadas na serrinha e marteladas no marrete... a solda do meu pai era um balde de água com sal grosso e dois eletrodos e quando ele soldava a energia da casa caia... e assim começou a Odery.
Batera: Como vocês chegaram ao nome Odery? Este é realmente seu sobrenome?
Maurício: Quando já era uma batera bem melhor e precisava de uma marca eu [pensei: Pô, meu pai tem um nome diferentásso. Porque não levar o nome dele? Odery é o primeiro nome do meu pai. nosso sobrenome é Cunha.
Batera: Quais foram as principais dificuldades no início?
Maurício: Dinheiro, credibilidade, preconceito com produto nacional, desenvolvimento. Não existia máquina ou tecnologia disponível pra fabricar baterias. Tivemos que reinventar a roda e, com isso, todas as máquinas que temos na fábrica foram produzidas por nós mesmos e temos muito orgulho disso. Depois, com o tempo, era a falta de credibilidade do produto nacional com o baterista brasileiro. Na verdade com quase tudo. Tudo que vinha de fora era melhor - e dinheiro que, pra crescer, é necessário. Por isso fomos sempre passo a passo, construindo e crescendo com o pé no chão.
Batera: Quando você percebeu que estava no caminho certo?
Maurício: Nunca!! (risos) Vamos pelo tesão de fazer a batera e pelo amor e energia que move você pra frente. Acho que desta forma sempre as coisas dão certo! Investimos e trabalhamos da mesma maneira. Começamos cada projeto como se fossem os primeiros e isso cria um lance muito especial pra você trabalhar e fazer acontecer.
Batera: Me lembro que, quando fui encomendar uma batera com você, já tinha uma batera quase pronta que ia para o Robertinho Silva. Quando foi que os primeiros bateristas de renome conheceram a Odery?
Maurício: Foi a partir de 1996 mais ou menos o que me lembro. To ficando velho (risos). Um pouco antes disso fechamos com o Fabiano Manhas que nos conheceu na Teodoro Sampaio. Fazíamos uns cascos para a antiga loja Músicos. Depois veio Robertinho, o Bala e ai todos os outros.
Batera: Quando visitamos a Odery, percebermos que há um ‘clima’ diferente de outras fábricas – algo mais harmonioso, quase familiar. Qual a sua relação com os funcionários e, você acha que este seja um dos segredos do sucesso da Marca?
Maurício: Poxa, somos um time aqui. Todo mundo aqui se dá super bem e realmente tem um clima diferente. Não é uma coisa burocrática com aquelas mil regras e um ambiente pesado. As pessoas aqui são dedicadas e trabalham com liberdade pois sabem o que tem que ser feito. Sempre tive o princípio de que se cada um sabe de suas responsas... não precisa ficar ninguém cobrando. As pessoas tem que trabalhar felizes e num ambiente legal. E aqui a gente constrói algo pra construir música. É algo mágico e é uma forma diferente de produzir. As pessoas aqui sentem isso e fazem com carinho e dedicação por isso jamais um produto de linha vai ser como um produto fabricado à mão.
Batera: Como você trabalha a criação de novos produtos?
Maurício: As idéias pintam e colocamos e prática. Não sei te explicar bem isso. As coisas vêem de forma natural. Não marcamos uma reunião para discutir algo do tipo: E agora? Pra onde vamos? As coisas vão fluindo naturalmente, pois estão dentro da gente.
Batera: Você poderia falar um pouco sobre a novíssima Eyedentity Series?
Maurício: Esta é uma série da pesadíssima pra concorrer com qualquer instrumento TOP e com um preço muito interessante. Este projeto começou a ser desenvolvido há 3 anos e estamos mega felizes de poder ter ele vivo agora! É como você engravidar e ficar ali naquela ansiedade esperando o danado do moleque ou guria nascer. Aí quando nasce, você fica que nem bobo parecendo um idiota (quem é pai vai entender isso).
A batera é séria... muito séria! É de nível A com design marcante, madeira top, acabamentos perfeitos, recursos muito interessantes. Enfim, é uma batera da pesadíssima mesmo.
Todo o projeto foi desenvolvido aqui. Fornecedores de madeira, de pele, design, etc. - tudo aqui. Apenas a produção é na China devido aos custos. Não dá pra oferecer uma bateria de um nível destes fabricando aqui em nosso país. E temos uma relação com o parceiro na China muito próximo e profissional. Tenho ido pra lá muitas vezes e tenho contato com todos os cabeças da fábrica, com todos os setores e converso com eles todos os dias. É a fábrica da Odery na China. O controle de qualidade e de produção são permanentes, pois não pode haver falhas num nível de baterias deste. E a Custom continua aqui... acima do TOP pois é um produto que tem um valor diferente - tem o seu valor (de quem encomenda) e é outro conceito e outra pegada. É uma batera que tem um charme, que agrega acima de tudo um valor que só quem adquire pode sentir e ter. É um produto especial feito pra você e ponto final.
Batera: Você poderia falar um pouco sobre a idéia, as experiências adquiridas e os resultados do Festival Odery? Há previsão para uma nova edição do evento?
Maurício: Institucionalmente foi maravilhoso. Pessoalmente foi uma das coisas mais bacanas que já realizei. Foi emocionante e marcante. Algo único! Quem participou, principalmente na final sentiu isso. Parece que é da Odery isso. Como falamos acima sobre o clima da fábrica isso também apareceu no Festival. Não dá pra explicar... só sentindo. Acho que foi muito bacana também para os bateras que tiveram uma oportunidade de estudar mais para poder se apresentar. Se apresentar em público solando?! Para muitos deles foi a primeira vez. Poder ter a chance de se mostrar e mostrar a qualidade daquilo que ele pode fazer. Foi de uma integração maravilhosa! Resumindo, foi Lindo e Emocionante. Temos planos de fazer novamente mas envolve tanta organização e parcerias que demanda muito tempo. Quem sabe em 2012?
Batera: Você é uma pessoa que está pensando sempre à frente. Mesmo acabando de lançar um novo produto, imagino que voçê já está pensando no próximo passo. Tem alguma dica pra gente em relação a isso?
Maurício: Isso to mesmo (risos). A cabeça não pára. Lançamos um projeto e já estou pirado nos próximos. A dica é: Fique ligado! Hahaha... Você me pergunta coisas que não posso dizer, mas garanto que tem coisas vindo em breve; e coisas muito boas!
Fonte: www.bateras.com.br


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